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quitandadaspalavras


            

   

    Rien ne rend  l avenir plus rose que de le regarder à

                                                travers un verre de  Chabertin

                               Alexandre Dumas

 

                                                    Acho que a maioria de nós queremos o que ele ( Dumas )  quis: que o mundo seja cor-de-rosa. Uns precisam de um copo de vinho rosé , outros de um copo de cerveja e os mais evoluídos de copo nenhum.  Segundo os cientistas , essa gente incansável que passa a vida,  examinando tubos de ensaio para revelar enigmas indizíveis e mistérios indecifráveis, até no interior da  mais bruta das nossas células a cor rosa significa delicadeza,   carinho e amor . Não sei como os caras chegaram a essa conclusão, mas sob à luz da ciência a cor- rosa, a  preferida pelas meninas quando começam a seduzir os meninos e  pelas mamães para decorar o berço das filhotas e vira e mexe alvo de críticas por parte das  viúvas da Simone de Beauvoir,  significa  o  pedacinho do céu azul paradisíaco, iluminando nossos corações.

       A                                        Ao longo do ano de 2.007, graças a Deus,  a vida se apresentou cor-de-rosa muitas vezes para mim.  Adoro final de ano. Tem gente que acha esse papo de ano-novo  uma besteira ou uma ilusão, argumentando que o tempo é relativo e há ainda os mais   cultos   ( ou chatos ) que lembram  que para os faraós o ano iniciava  em 29 de agosto. Mas eu sigo o calendário dos hebreus e fim de ano para mim é uma época muito especial. Limpo armários, rasgo papel e  me desfaço de objetos e roupas que não me dizem mais nada. Acendo incenso, velas e choro bastante. E também dou muita risada, telefonemas e abro o meu arquivo de fotos. Relembro viagens feitas, aniversários comemorados e casamentos realizados. Na sua coluna, no Jornal O Globo,    Joaquim Ferreira dos Santos pediu para que os leitores   s lhe enviassem  fotos que mais marcaram suas  vidas  durante o  ano de 2.007. Eu não  mandei nenhuma, mas enviaria três e vou falar sobre elas em ordem cronológica, por que elas  têm uma importância tão grande na minha vida que seria uma injustiça comigo mesma eu enumerá-las afetivamente.

                                               A  primeira é uma foto minha  e do meu marido  na Chapada da  Diamantina que eu considero como sendo um dos lugares mais bonitos desse país e como eu sou exagerada vou arriscar a dizer:  a Chapada é um dos lugares mais bonitos do planeta . Aquela parte da terra é cor-de-rosa e bonita de doer. A segunda é uma foto tirada durante a cerimômia de  casamento da minha amiga Kátia que me fez um convite muito especial e original : pediu para eu escrever um texto para celebrar a sua união com o Mário. Depois de noites insones o texto saiu e eu chorando mais do que ela tive o prazer de desejar do fundo do meu coração felicidades para o casal e uma união bem saudável, alegre  criativa e frutífera .  E a 3ª foto sou eu com os meus colegas de escola , do aplicação da UERJ . Eu não os via há  mais de 20 anos e nos reencontramos para comemorar os 50 anos do colégio. Sempre fui avessa à nostalgia , mas esse reencontro foi iluminado.  Encontrar pessoas  que durante anos,  juntas, se prepararam para chegar até aqui, ( na vida adulta )  foi extremamente emocionante. De  moleques e molecas que  éramos,  preocupados com a prova de matemática, português e ciências , hoje somos , adultos casados, separados, pais de famílias, mães apaixonadas pelos filhotes , profissionais liberais, públicos, executivos , administradores de empresas, de  famílias e de vidas por que nessa altura do campeonato  ninguém fecha a porta de casa sem precisar  dar satisfação a alguém. É bebe recém- nascido chorando , filho adolescente enchendo o saco , pais idosos nos pedindo atenção , compromissos profissionais na agenda e  contas  pipocando no final do mês.  Mas esse reencontro,   regado a incontáveis chopps , abraços apertados e   sorrisos emocionados  ficou marcado pelas  palavras afetuosas sopradas do fundo do coração . É nesse órgão  que reside a nossa memória mais vital que é a memória do carinho, do afeto, da lealdade, da amizade e do amor.

                                                    Sem esses nutrientes  nenhum ser humano é capaz de perceber  que o mundo de vez em quando pode ser rosa ou  violeta e  muito menos é capaz de sentir  o aroma inebriante do jasmim ou  ofertar uma margarida à pessoa amada ou admirar uma plantação de  girassol.Eu sei que muitas vezes a vida é  punk, injustiças  ocorrem  a todo instante,  mas apesar de toda a violência que nos cerca e de todos os medos que nos espreitam , façamos com que a vida nos apresente cada vez mais cor -de –rosa independente  de estarmos inebriados ou não por uma taça de vinho.   É uma boa e delicada tarefa para ser exercida nesse ano que se inicia.  Um beijo no coração.

                                              Feliz 2.008 para todos nós.          

                                                                       

 

 



Escrito por Mônica Campos às 08h22
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