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quitandadaspalavras


 

                                             Procrusto

 

       Um homem encontra-se preso em Alagoas há cinco meses por que roubou um queijo. E os promovedores da festança do cartão corporativo  estão de ressaca. . Uma ministra se demitiu por que na certa considera o  chá caseiro como sendo o  melhor remédio para dor de cabeça. Mas seus coleguinhas  querem mais. Compreensível. Fazer festa com dinheiro alheio deve ser uma delícia. Uma vez, há muitos anos, quando o código de barra ainda era uma fantasia de cientista maluco, saí de uma  loja com um creme para cabelo nas mãos. Só ao chegar em casa me dei conta que não havia pago. Confesso que  meus neurônios balançaram ao imaginar a possbilidade de poder  desfrutar  do perverso prazer de usufruir de algo que eu precisava sem mexer no bolso. E me senti muito capaz como aquilo me conferisse um poder que me transformaria, em segundos,  numa imperadora.   Mas como sempre tive medo do demônio do poder que é o pior demônio que o ser humano pode enfrentar, no dia seguinte, a caminho da escola, devolvi o creme.  Fiz isso não por que eu seja o baluarte da honestidade, não foi o valor monetário que me fez devolvê-lo, mas sim,  a excitação que a situação havia provocado. Por essa experiência, vivida na infância, quando um frasco de creme para cabelo usurpado  me fez sentir a  Cleópatra dá para   imaginar  o perigo  que é ser dono de um cartão corporativo, embora argumento nenhum justifique o roubo público e muito menos a   impunidade.             

      Os juristas dizem que todos são iguais perante à lei. Mas infelizmente alguns  estão acima dela.   Por isso nenhum agente público do governo Lula vai parar na   cadeia por ter usado o cartão  indevidamente.  Mas um homem está  preso por ter roubado um queijo.  Por essas distorções e tantas outras, provocados  pela força do capital e pelo abuso do poder , como diria o velho companheiro Lula-lá  ( Jung tem um frase muito intrigante : a pessoa se converte-se sempre na coisa que ela mais combate)  o comandante  Fidel  Castro há  49 anos  proclamou-se  como sendo o  salvador de Cuba.   Fidel,  embora seja humano, feito de carne e osso como eu e você, é quase uma entidade. Não importa o que achamos dele, mas é incontestável que Fidel   é dotado de uma força de búfalo. Poucos homens  vêm ao mundo com a capacidade de lutar contra um império como ele veio. Poucos homens despertam tanto ódio e tanta paixão como ele desperta. E poucos homens conseguem se manter tantos anos no poder sem que a cabeça  role, guilhotina a baixo,  como ele conseguiu. Mas quem estudou um pouco de história  sabe que Stálin nos deixou um grande ensinamento: o comunismo sempre conduz à ditadura. Eu sei que essa frase dói nos ouvidos de muita gente que sonhou de olhos e corações abertos com um mundo menos desigual, menos violento e menos injusto.   Fidel também deve ter sonhado com esse mundo.  Mas tornar sonho em realidade é o grande desafio do ser humano. E  como todos os grandes líderes ele não  podia errar por que um salvador não erra. Mas ele é humano e cometeu muitos erros e o mais grave  talvez tenha sido encontrar desculpas para justificar atrocidades  que um dia virão à tona.  

       Fidel me lembra Procrusto, o Esticador, que não aceitava o fato dos  baixinhos serem subjugados pelos gigantes. Procrusto, um gigante idealista,  queria defender os baixinhos e teve uma idéia: construiu duas  camas sendo uma para os gigantes e outras para os não- gigantes. Na cama para os baixinhos ele deitava os gigantes e na cama para os gigantes ele deitava os baixinhos. Sendo que na primeira ele cortava as pernas dos gigantes e na segunda  esticava os baixinhos.  Quando Palas Atenas lhe perguntou por que  fazia aquilo,  ele respondeu: A justiça exige que todos os homens sejam iguais. Cortando a perna dos gigantes, eles se tornam tão pequenos quanto os não gigantes. Quanto aos não gigantes eu os estico até ficarem do tamanho dos gigantes. Tal operação torna ambos iguais,  pois através delas, todos  se tornam aleijados.E se eles morrerem por causa dessas mutilação, ela perguntou  Continuam iguais, entre si,  pois a morte os iguala 

        Procrusto continuou torturando e sempre esclarecendo que o fazia em nome da justiça até Teseu chegar e acabar com aquela orgia de desumanização e Procrusto morreu,  dizendo “ eu jamais fizera mal algum aos homens”.

              Resta saber o que Fidel dirá antes de morrer.   

 

 

 

 



Escrito por Mônica Campos às 15h55
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