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Porta Estreita
Segundo a Xuxa, o cara lá de cima quer apenas a felicidade dos casais, dispensando exigências de ordem civil ou de cunho religioso . Elba Ramalho, recém- separada, considerava seu casamento um castelo construído sob uma firme montanha, porém, há pouco, constatou que o terreno era derrapante . Essa semana, ouvi uma definição impecável a respeito da expectativa feminina, em relação aos homens : eu tenho a impressão que, de vez em quando, eles somem e se escondem atrás da porta. Perfeito. Depois de noites abrilhantadas por beijos intermináveis, corpos inseparáveis e gozos inebriantes, temos a certeza que nem uma obra de arte, fundida em bronze, é mais sólida que o amor que o outro nutre por nós. Talvez esse seja o delírio mais alucinante e no qual fazemos questão de acreditar . E nem por um átimo de segundo achamos existir um mísero grão de possibilidade desse sólido amor transformar-se num sentimento mais gasoso que uma baforada de calor.
Mas aquele homem que um dia acreditamos ter nos amado acima de todos os seres do universo, aquele homem que entre sussurros picantes e sorrisos generosos nos levou a acreditar que aqui é o melhor dos mundos, aquele homem que um dia preencheu todas as curvas e contornos do caminho da paixão , de um momento para o outro, sem nenhuma explicação astrológica ou metafísica e sem ao menos uma mensagem ou telefonema de uma taróloga ou mãe- de- santo some. E como me disseram: esconde-se atrás da porta. Mas como toda brincadeira, a do esconde – esconde também pode ser reveladora. O casal começa a percorrer caminhos perigosos e um belo dia não consegue mais passar pela porta com a facilidade e displicência com que passava até então. E surpresos percebem que a porta tornou-se estreita para ambos. Está escrito na bíblia, nas palavras do apóstolo Lucas : esforçai-vos por que a porta é estreita. No início , os caminhos que apresentam-se para um casal são muitos e fascinantes : casa nova, sexo inesgotável, possibilidade de filhos, viagens divertidas , crescimento profissional, alegria das famílias e outras tantas . Com o tempo, as possibilidades vão esgotando-se e as portas cerrando-se. E a que resta é estreita. Quem já foi ou é casado sabe que a parada é uma delícia, mas, às vezes, é punk demais . Casamento é uma opção que exclui muitas outras. E uma delas é a possibilidade de vivenciar outros amores. Mas nem vou falar sobre isso por que é cansativo, além de chover no molhado, até por que ninguém gosta de ser traído. E há outras opções tão ou mais difíceis como, por exemplo, aceitar o outro com todas as mazelas, pequenezas e faltas inerentes ao ser humano. Sendo que o maior desafio é encarar a nossa impotência, frente a isso, por que não somos deusas ( como desejaríamos ser ) para curar os homem.
Mulheres e homens são abandonados a todo instante. Mas escrevi sobre o abandono feminino e adorei a imagem deles, escondendo-se atrás da porta por que ouvi a Elba Ramalho queixar-se da pisada de bola.do marido . Por mais que eu entenda sua dor, que não deve ser pouca após anos de casamento, fiquei surpresa com fato dela ( logo você Elba que povoou a fantasia dos caras da minha geração, dançando como poucas em cima daquele par de pernas invejáveis ) vir a público, nessa altura do campeonato, ( eu sei que paixão não tem idade mas nessa vida temos que aprender alguma coisa ) reclamar do marido como se ela fosse uma menininha de colégio interno. Mas, enfim, ela deve ter suas motivações para agir dessa maneira. E não poupou o cara nem um tiquinho. Disse que faltou a ele caráter ao traí-la várias vezes e ainda reclamou dos amigos que sabiam das escapadinhas do bonitão e nada lhe avisaram . ( coitado dos amigos) Ou seja, do homem ideal e eterno companheiro que um dia ele fora, transformou-se em um ser mais nocivo do que uma praga de gafanhotos. Pesado, não ? Posso estar enganada, mas pelo visto a porta da casa da Elba está estreitíssima .
E se bobear travou .
Escrito por Mônica Campos às 08h21
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